Quando mudei para o centro do Rio de Janeiro, era fevereiro, era carnaval. Morava do ladinho da Sapucaí, mas não curti muito aquele ano, ainda me instalando e entendendo em que pé estavam as coisas. De repente, como quem não quer nada, surge na Baía de Guanabara o Boto Marinho, e eu resolvo ir atrás dele, lá na Ilha de Paquetá, juntamente de centenas de foliões vestidos em cor-de-rosa e azul, enfileirados por metros e mais metros pela Praça XV.

Amor à primeira vista.

O bloco é o mais gostoso que já fui na vida. Este ano voltei e pretendo voltar em todos os próximos. Mar ao lado, árvores em cheio, bolinhas de sabão, banda do bem, gente disposta a fazer acontecer desde o trajeto demorado na barca, que passa voando entre uma música e outra. Deixo aqui somente alguns registros, porque o resto guardo na memória, encharcada de saudade e vontade de que o tempo corra mais depressa.