Segura que lá vem textão!

@amarinasena

Tem duas coisas que vocês ainda não sabem sobre mim, acho. A primeira delas é que sou ilustrador e designer. A segunda é que sou fã da Marina Sena. Ela, que vive um momento bastante feliz musicalmente, puxando muitas das referências que apareciam em A Outra Banda da Lua e arriscando-se na produção da ótima Desmitificar, fez valer os versos ouvidos na última faixa do álbum Vício Inerente, Pra Ficar Comigo, onde canta: Alguém tem luz / Que oriente o caminho novo / Não tem azul / Vou correndo pra casa de novo.

De volta a Taiobeiras, no norte mineiro, a artista se distancia da plasticidade metropolitana e investe no bom e batido pé no chão. Em tempos de inteligência artificial, Marina convida o diretor criativo Marcelo Jarosz e a também ilustradora e designer Giovanna Cianelli, seus já companheiros de trabalhos anteriores, para desenvolver a identidade visual de Coisas Naturais, juntamente com uma equipe muito competente, da forma mais manual e analógica possível: fotografando, revelando, recortando e colando.

@soypeulima

Eu, que comecei com a colagem, não separo tanto o processo de desenhar da ideia de valorizar a textura: dar a devida importância à falha, ao erro de impressão, à mancha, ao rabisco. Esses traços próprios do ofício são justamente aquilo que confere ao feito artístico a subjetividade humana, contrapondo a concepção instantânea, algorítmica, copiosa.

Pensar sobre tais aspectos me transportou a uma cena que, de certo modo, tem ajudado a catapultar o papel à merecida posição de destaque. Sou incapaz de dar conta da infinidade de nomes envolvidos no fazer, então citarei somente as minhas principais referências, começando por Peu Lima, criador da Pipoca Press e da recente feira de impressos, a DELÍCIA. Só tem no Brasil, tá?

@deliciaimpressa

Peu encabeça um movimento que retoma a publicação como aliada à juventude que se propõe pensante. Frente à alienação virtual, em que o conteúdo online é gerado e consumido massivamente, mas pouquíssimo absorvido, os livros, revistas, zines, pôsteres, adesivos e outros objetos oriundos do âmbito independente soam como alternativa saudável ao fluxo adoecedor das redes. Nesse sentido, a colagem, a serigrafia, a risografia, a xilogravura, a monotipia e a cianotipia, a níveis de exemplos, compõem exercícios pedagógicos de priorização do mundo físico, do que é tangível, artesanal. Tecnologias outras.

@elisapessoa_
@revistarecorte


Menções honrosas a Risotrip; ARADO; Clube do Livro do Design — sobretudo pela Revista Recorte, um baita acerto! —; Propágulo; Banca CINZA; Banca Tatuí; Banca Curva; Gengibrão; TIJUANA.

Milhares de palmas para Elisa Pessôa Firmino, que faz colagens como ninguém. A Oficina Auto Recorte é mais um dentre os modos de expressão listados, o que acho admirável.

Por hoje é só! Ouçam Coisas Naturais! Apoiem artistas, editoras e bancas independentes! Frequentem feiras de impressos!